A dieta vegetariana é atribuída a um padrão de consumo alimentar que utiliza, predominantemente, produtos de origem vegetal, excluindo a carne e o pescado, podendo ser classificada como ovolactovegetariana (exclui carne e pescado, mas permite ovos e laticínios), lactovegetariana (exclui carne, pescado e ovos, mas permite laticínios), ovovegetariana (exclui carne, pescado e laticínios, mas permite ovos) ou vegetariana estrita ou vegana (exclui todos os alimentos de origem animal).

As razões que levam as pessoas a adotar um determinado tipo de alimentação vegetariana estão relacionadas com diferentes questões, sendo as mais comuns a saúde, o bem-estar dos animais, o ambiente, a religião e os motivos espirituais ou éticos.

Contudo, a adoção de uma dieta vegetariana não implica mais saúde. São necessárias escolhas alimentares adequadas e um estilo de vida saudável, tal como numa dieta não vegetariana. Uma alimentação vegetariana mal planeada, com défices nutricionais ou excesso de energia/calorias, gordura ou sal, pode ser prejudicial para a saúde.

Desta forma, este padrão alimentar, desde que bem orientado e adequado, é saudável e pode ser benéfico para a saúde, nomeadamente na prevenção e tratamento de algumas doenças. É importante ter em conta o valor energético dos alimentos, os macronutrientes (proteínas, gorduras e hidratos de carbono) e os micronutrientes (vitaminas e minerais), estando estes devidamente adequados às várias fases do ciclo de vida, ao nível de atividade física e aos problemas de saúde identificados.

A alimentação vegetariana, independentemente da faixa etária, não acarreta um aporte energético aumentado comparativamente a uma alimentação não vegetariana, mas tendo em conta o indivíduo adulto saudável, eis que surgem algumas conclusões:
– Sendo a qualidade proteica determinada pelo conteúdo em aminoácidos e pela digestibilidade, é possível afirmar que a diversidade de alimentos de origem vegetal permite atingir facilmente as recomendações proteicas e em aminoácidos, mesmo que a digestibilidade proteica dos alimentos de uma dieta vegetariana seja menor que a dos alimentos de uma dieta não vegetariana (dica: demolhar, descascar e germinar leguminosas e cozinhar em panela de pressão aumentam a digestibilidade proteica).
– Habitualmente, o padrão alimentar vegetariano apresenta uma quantidade de gordura total e saturada inferior ao padrão não vegetariano, devido à restrição de alimentos de origem animal, um consumo de ácidos gordos monoinsaturados semelhante e uma ingestão de ácidos gordos polinsaturados superior, dado o consumo de óleos vegetais, frutos gordos e sementes.
– As necessidades em hidratos de carbono não estão aumentadas nos vegetarianos e a quantidade consumida é similar aos não vegetarianos, apesar do teor de fibra ingerido ser maior, devido ao consumo de fruta, hortícolas e leguminosas ser superior.

Relativamente às vitaminas, a população vegetariana poderá apresentar défices em vitamina D (não sendo atingida também em não vegetarianos) e em vitamina B12, dado que esta vitamina está presente em alimentos de origem animal e alimentos fortificados, podendo mesmo ser insuficiente nos ovolactovegetarianos. A ingestão de vitamina E, K, C e de outras do complexo B está adequada.

Quanto aos minerais, o consumo de fósforo e ferro parece ser semelhante ou superior em vegetarianos comparativamente aos não vegetarianos, apesar de não existir consenso entre os estudos realizados quanto ao ferro, estando, por isso, aumentada em 80% a ingestão diária recomendada na população vegetariana. A ingestão de zinco é menor na dieta vegetariana, mas os valores séricos são adequados, apesar das suas necessidades estarem aumentadas em 50%. O mesmo acontece com o cálcio, que apresenta uma ingestão semelhante ou superior, no caso dos ovolactovegetarianos e uma ingestão ligeiramente inferior para quem segue o padrão vegano. A dieta vegetariana fornece ainda mais potássio e magnésio que a dieta não vegetariana e menos selénio e sódio.

Desta forma, importa salientar que os indivíduos interessados em adotar uma dieta vegetariana a longo prazo devem consultar profissionais de saúde, nomeadamente os nutricionistas, os quais esclarecem sobre os benefícios e riscos associados a esta alimentação, aconselhando e acompanhando na prática a sua execução.

Para finalizar, quero ainda sublinhar que Portugal apresenta ótimas condições para uma produção vegetal de elevada qualidade com uma grande diversidade e variedade sazonal, sendo possível adotar um padrão vegetariano com baixo recurso a suplementos alimentares e produtos processados.

Adaptado de:
– Silva, S. et al. (2015). Linhas de Orientação para uma Alimentação Vegetariana Saudável. Lisboa: Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável.

Carina Ferreira (Nutricionista 2984N)


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